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sábado, 12 de setembro de 2009

O IMPERIALISMO

Economia política: uma introdução crítica¹
Capítulo 8


O IMPERIALISMO

O autor nos diz que na segunda metade do século XX, teóricos de distintas posições políticas, mas vinculadas à tradição inaugurada por Marx, aprofundaram investigações visando compreender fenômenos e processos ocorrentes na sociedade capitalista que não tinham sido analisados pelo autor de “O Capital”. Assim nenhuma delas havia retirado a sua estrutura essencial; mas todas confluíam para configurar um novo estágio na história do capitalismo, a que se denominou imperialismo.
Capital, é relação social e as relações sociais são, antes de mais nada, relações de essência histórica: são mutáveis, transformáveis. Resultantes da ação dos homens, exercem sobre eles pressões e constrangimentos, acarretam efeitos e conseqüências que independem da sua vontade; mas, igualmente, são alteráveis e alteradas pela vontade coletiva e organizada das classes sociais. Mobilidade e transformação constituem o capitalismo.
A burguesia nasce dos grupos mercantis que acumularam grandes capitais comerciais, afirmando-se como classe que tem na mãos o controle das principais atividades econômicas e confronta-se com os privilégios da nobreza fundiária da época. Assim o capitalismo vai se consolidar no principais países da Europa Ocidental, nos quais erradicará ou subordinará à sua dinâmica as relações econômicas e sociais pré-capitalistas, e revelará as suas principais características estruturais.
Sobre a base da grande industria, que provocará um processo de urbanização, e êxodo rural sem precedentes, o capitalismo concorrencial criará o mercado mundial( o inicio da globalização), os países mas avançados buscarão matérias primas brutas e primas nos lugares mais afastados do globo e inundarão todas as partes do planeta com suas mercadorias produzidas em larga escala. A caracterização desse estágio como concorrencial explica-se em função das relativamente amplas possibilidades de negócios que se abriam aos pequenos e médios capitalistas.
Uma vez controlados os mercados dos seus próprios países, as gigantescas empresas monopolistas tratam de ganhar mercados externos, é nesse momento que elas se associam a empresas similares de outros países capitalistas de forma a selecionar ares de atuação.
Entre o fim da Segunda Guerra Mundial e a passagem dos anos sessenta e setenta, o capitalismo monopolista viveu uma fase única em sua história, fase que alguns economistas designam como os “anos dourados”. Foram quase trinta anos em que o sistema apresentou resultados econômicos nunca vistos, e que não se repetiram mais, as crises não foram suprimidas, mas seus impactos foram diminuídos pela regulação posta pela intervenção do Estado, e sobre tudo, as taxas de crescimento mostraram-se muito significativas.
Vimos então que o Estado passou a se inserir como empresário nos setores básicos não-rentáveis, a assumir o controle de empresas capitalistas em dificuldades, a oferecer subsídios diretos aos monopólios e a lhes assegurar expressamente taxas de lucro.
Mas o capitalismo democrático não foi mais que um breve episódio no desenvolvimento, na passagem dos anos sessenta aos setenta do século XX, ele entrou em crise e mecanismos de reestruturação foram implementados pela burguesia monopolista, revertendo as conquistas sociais alcançadas no segundo pós-guerra.

1) Netto, J.P. e Braz, M. Economia Política – uma introdução crítica. 3ª edição. São Paulo: Cortez, 2007, PP. 168-209.

domingo, 30 de agosto de 2009

A Educação para além do capital¹


O autor nos diz que no final de tudo se reduziria a relações de poder nuas e cruas, impostas com extrema brutalidade e violência nos primórdios do desenvolvimento capitalista, independentemente da forma como elas eram racionalizadas nos “primeiros anais da economia política”, conforme as palavras de Marx. Assim não podem funcionar adequadamente exceto se estiverem em sintonia com as determinações educacionais da sociedade como um todo.
Aqui a questão crucial, sob o domínio do capital, é assegurar que cada individuo adote como suas próprias as metas de reprodução objetivamente possíveis do sistema. Em outras palavras, no sentido amplo do termo educação, trata-se de uma questão de internalização pelos indivíduos.
Todavia, ao internalizar as onipresentes pressões externas, eles devem adotar as perspectivas globais da sociedade mercantilizada como inquestionáveis limites individuais a suas aspirações pessoais, ou seja , tornar-se “alguém” para a conquista de um espaço na sociedade capitalista.
Uma das funções principais da educação formal nas nossas sociedades é produzir tanta conformidade ou consenso quanto for capaz, a partir de dentro e por meio dos seus próprios limites institucionalizados e legalmente sancionados.A aprendizagem é, verdadeiramente, a nossa própria vida.
Portanto, desde o inicio o papel da educação é de importância vital para romper com a internalização predominante nas escolhas políticas presentes à legitimação constitucional democrática do Estado capitalista que defende seus próprios interesses.
A nossa época de crise estrutural global do capital é também uma época histórica de transição de uma ordem social existente para outra, qualitativamente diferente. Essas são as duas características fundamentais que definem o espaço histórico e social dentro do qual os grandes desafios para romper a lógica do capital, e ao mesmo tempo também para elaborar planos estratégicos para uma educação que vá além do capital, devem se juntar.
Portanto a educação é o meio modificador de uma sociedade, para transformar um país, ou o individuo em ser pensante e crítico do seu tempo, não ficando oprimido pelo mercado capitalista e relações marginais.



1) Meszários, I. Educação para além do capital; tradução Isa Tavares. São Paulo: Bomtempo Editorial,2005, PP 19-77.

sábado, 25 de julho de 2009

Educação como capital humano: uma teoria mantenedora do senso comum¹

O autor nos mostra que a teoria do capital humano é um movimento que guarda em seu interior um caráter circular. Assim o conceito de capital humano que a partir de uma visão reducionista busca elementos para explicar o desenvolvimento e eqüidade social, e como teoria de educação, segue um caminho de investigação, neste sentido depreende-se que o determinante: educação como fator de desenvolvimento e distribuição de renda, transforma-se em determinado: o fator econômico com explicação do acesso e permanência na escola, do rendimento escolar.
Do ponto de vista macroeconômico, constitui-se num desdobramento, um complemento do desenvolvimento econômico. O capital humano transforma-se num construtor básico da economia da educação. A educação, é o principal enquanto produtora de capacidade de trabalho, potenciadora do fator trabalho. Neste sentido é um investimento como qualquer outro.
“Do ponto de vista macroeconômico, o investimento no “fator humano” passa a significar um dos determinantes básicos para o aumento da produtividade e elemento de superação do atraso econômico. Do ponto de vista microeconômico, constitui-se no fator explicativo das diferenças individuais de produtividade e de renda e, conseqüentemente, de mobilidade social.”( Frigotto,p.41)
Como vimos anteriormente, a concepção do capital humano, tanto do ponto de vista do desenvolvimento econômico com da renda individual, é que a educação, é criadora da capacidade de trabalho. Um investimento marginal em educação permite uma produtividade marginal. O salário ou a renda é o preço do trabalho do individuo, produzindo mais, conseqüentemente ganhará mais. A renda, ou o salário, ou seja, os ganhos são individuais, e se não obtém esta renda , também é decisão do individuo, esta concepção surge na burguesia e do seu modo de produção.
A escola passa a ser determinante da renda, os ganhos futuros, de mobilidade social, assim a permanência nela e o seu desempenho são explicados pela renda e outros fatores que descrevem a situação familiar. É desta visão do capital humano que constitui-se em apologia da concepção burguesa de homem, de sociedade, e das relações que os homens estabelecem para gerar sua existência no modo de produção capitalista.
“Para a economia burguesa não interessa o homem enquanto homem, mas enquanto um conjunto de faculdades a serem trabalhadas para o sistema econômico possa funcionar como um mecanismo.”( Frigotto, p.58)
A desarticulação da concepção burguesa veiculada pela teoria do capital humano implica sair da visão de superficialidade e de pseudoconcreticidade, e voltar ao foco das relações sociais de produção especificas à sociedade do capital.

Conclusão

A teoria do capital humano visa superar a idéia de utilidade e voltar à idéia de valor-trabalho, onde a educação tem objetivo em superar a dificuldades e promover a igualdade de classes, pondo a lógica de mercado de fora das relações de trabalho especificamente para o lucro e a exploração do individuo, inserindo a coletividade como forma de relação inerente ao ser humano.

Bibliografia

1) Frigotto, G. A produtividade da escola improdutiva. 2ª edição. São Paulo: Cortez: Autores Associados. 1986, PP. 35-81.